CRÔNICA DE UM DOCE AMOR

               José Fagner Vieira Bento

I

Sacoleja no ônibus, pra lá e pra cá,
como se fosse uma bandeira ao vento.
Sente a brisa tocar seu rosto, frios lábios
que lhe beijam a face ao relento.

II

Maior do que seu amor é a vontade
de dizer já o quanto o ama, de gritar...
Aos quatro cantos cantar o seu nome
e tudo que sente, o que seu peito invade.

III

Que tipo de amor é este que tantas
vezes parece gratuito? Loucura?
Paixão antiga nem sempre correspondida,
um mal ou bem que não se cura.

IV

Está chegando... Ouve seu coração
bater forte, ritmo acelerado na cadência
descompassada dos enamorados, dos
que tremem só ao ouvir tal canção.

V

Desce. E já na rua o imagina, impávido,
ainda oculto por trás da armadura
que carrega sempre. Como se fosse a
proteção maior de uma alma pura.

VI

Passo a passo, chega perto,
e o faz de propósito: tímido, prefere
a solidão dos anônimos ao sorriso
que, está claro, ganhará. É certo.

 VII

Respira ofegante, falta pouco
para vencer a si mesmo e ao
mundo gritar o que sente, como se
fosse a balada de um doce louco

VIII

Já não suporta mais. A massa o
incentiva, forte, determinada, lisonjeira.
Então, determinado, lhe olha nos olhos e
com bravura diz: "Força, Asa!"

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