SER ALVINEGRO É ESTAR APAIXONADO

 

Jaldemir Lúcio dos Santos,

em 07/07/2000

 

    Sobrevivemos! É verdade, estamos ainda todos vivos. Em que pese o bombardeio que enfretamos. Nós, pobres mortais, vulneráveis, fomos mais uma vez expostos a toda a sorte de perigos. Mas, até quando resistiremos? Até quando escaparemos ilesos das armadilhas que a emoção nos põe à espreita? O coração, asseveram os cientistas, é apenas um músculo, o órgão central da circulação sangüínea. Deve trabalhar ritmado, no compasso correto para que cumpra o seu papel de nos assegurar a sobrevivência! Mas, como explicaria a ciência, o fenômeno do coração alvinegro? Não é tarefa fácil. Há que se debruçar toda uma casta de estudiosos para tentar desvendar este mistério. É que o coração alvinegro arapiraquense, não pulsa, apenas. Salta, vibra, baila, estremece com fervor em nosso peito. E isto, o que é mais grave, dá-se à nossa revelia. Perdemos totalmente o controle. Tornamo-nos um singelo barco, completamente à deriva, submetido à força dos ventos, aos caprichos da natureza.

    É assim a epopéia de cada um de nós, torcedores do ASA, daqueles que vestem sua alma de preto e branco, a cada partida, a cada jornada.

   Uma inquietante indagação emerge, desafiando-nos: como explicar tanta paixão, tanto fervor por uma agremiação esportiva? Por um time de futebol? O que há nesse esporte que se apodera de nós, nos toma de assalto e aprisiona? Jamais chegaremos a respostas lógicas, racionais. Assim como não explicamos o amor, este sentimento tão nobre, centelha Divina presente na raça humana, e que a singulariza entre todos os animais. A paixão nos impõe sofrimento, dor, mas também nos brinda com momentos de extrema felicidade. Ser alvinegro é estar apaixonado.

   A mais importante de todas as batalhas, avizinha-se. Preparemo-nos para entrar em campo. Entrar em campo, sim! A gigante nação alvinegra não se limitará a tomar as dependências do estádio; não se contentará em ficar das arquibancadas e gerais, ecoando o seu grito a plenos pulmões, para incentivar seus guerreiros. Ela será cada um deles. Será Robson, o guardião maior da bastilha alvinegra, na companhia de Flávio, Márcio Gaia, Marquinhos, Peta e Régis; Cada um dos incontáveis apaixonados alvinegros, jogará nos pés de Mateus, Jackson, Jaelson e Clayton,  e desferirá tiros mortais, certeiros, à meta adversária, junto com César e Serginho. Estaremos todos, também com Beto, Cláudio, Simão, Jeziel, Valmir, Hélio e Fuscão, a postos, prontos para envergar o Manto Sagrado e defender o nosso reino. Seremos Guinei,  Gedeon, Murilo, Paulo Roberto, Prof. Gutemberg, Luciano Machado, Marcos Jatobá,  José de Oliveira Barbosa, gritando em uníssono: venceremos.

   Armas não nos há de faltar. Estaremos com os nossos gladiadores, movidos à paixão. E o ASA, Agremiação Sportiva Arapiraquense é digno, merecedor de toda veneração, pois quando tudo parecia irremediavelmente perdido, quando o amargo sabor da derrota nos ameaçava, eis que o glorioso, tal como o mitológico pássaro fênix, renasceu das próprias cinzas, e mostrou-se vivo, firme, determinado.

   A importância do título, da conquista grandiosa, transcende os limites do esporte. É a afirmação de um povo brioso, sofrido, de sentimentos pungentes. É a mostra de nosso valor, do valor do homem simples, do matuto, frente a uma série de adversidades. Absolutamente não há incertezas: somos vencedores. Movidos pelo combustível inesgotável da paixão, desfraldemos nossas bandeiras, e gritemos ao alvinegro: "COM BRAVURA E GALHARDIA IDE AVANTE, LUTAI, LUTAI".

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