MACHADOS DE OURO

                                                                                                                    José Ventura Filho*

                    É proposital a inversão desta homenagem que seria destinada ao nosso glorioso ASA para levar ao foco da luz os dois Machados responsáveis por essa caminhada de glória e de sucesso do alvi-negro da terra de Manoel André.

                  Nossas inspirações já percorriam a vagueza da impaciência, quando eram reanimadas pela força da paixão e do amor ao nosso ASA, mas a indiferença do sucesso machucava a cada ano, a cada temporada que terminava.

                  Os anos vinham e se esvoaçavam sem rastros e sem pegadas de troféus conquistados pelo glorioso. Era luta honrosa pelo valor da luta, menos pela conquista de títulos de campeão.

                   Os caminhos eram pedregosos. A nossa fascinação alvi-negra era golpeada a cada época de investidura de alguém no comando administrativo do clube. Ninguém queria assumir aquela responsabilidade que mexe com sentimentos de massa popular.

                    Como em socorro a um enfermo agonizante aparecia aqui e alhures um ou outro abnegado que oferecia o coração, pois só o coração tinha para oferecer.

                    Mas, como um bandeirante destemido, eis que aparece um Machado a desbravar a rudeza da escuridão das matas de bastidores, a incorporar seu dia a dia na obstinação de coroar a glória na história do ASA, e o fez campeão na exata virada do milênio. O fez bi-campeão no ano seguinte.

                    Reuniu no peito aquela célebre definição da vontade que diz: “uma vontade forte faz nascer das cinzas crepitantes chamas”  

                   Foi a vontade, foi a seriedade, foi a lealdade a quem o ajudou, que fizeram aquele Machado de fio afiado cortar as dificuldades e abrir os primeiros clarões para encontrar as hastes do pendão alvi-negro.

                   A agremiação Sportiva Arapiraquense está associada ao nome de Luciano Machado, o timoneiro que fez singrar mares revoltos pelas asas do nosso ASA a compor-lhe um lugar de destaque e de respeito no futebol nacional.

                   Predestinado ao sucesso do novo milênio, eis que outro Machado de gume de ouro se obstina nas causas alvi-negras e comanda seu destino consumando sua glória no mais alto pedestal do tri-campeonato. 

                   O presidente Moisés Machado cingiu seu nome no pendão alvi-negro, visto e saudado por toda legião de torcedores que abrange uma inteira região e se agasalha nos corações vibrantes e acolhedores.  

                   Os Machados dos presidentes Luciano e Moisés têm firmeza de metal nobre, de metal precioso que risca e corta no delinear da consciência organizacional.

                   São nomes cujo eco lembra gol gritado na emoção do Nelson Filho que contagia, faz chorar e faz sorrir.

                   São os Machados com as correntes da eficácia e do bom comando que elevaram o ASA do nosso fascínio ao pendor da glória.

                   São os Machados perfumados com a seiva do sândalo que inebriaram nossos corações, que exalaram a fragrância da alegria em nossas almas, que nos fizeram ostentar o pavilhão alvi-negro com a égide da glória, fazendo-nos cantar a todo pulmão “orgulhoso e altaneiro, o ASA sempre de pé, ficará para sempre na história da terra de Manoel André”.

                   São os Machados, Luciano e Moisés que se perpetuam na história de Arapiraca e da região porque o ASA é a própria Arapiraca, é a própria região.

                   Neste momento, um grito de Justiça faz vibrar os sentimentos de gratidão junto àqueles que não sendo machado são luta e apoio harmônico, sem os quais, os Machados de ouro não teriam fio nem gume para ostentar o pavilhão do sucesso do nosso glorioso alvi-negro.

                   Falo dos componentes das diretorias vitoriosas que como os Machados não declinam da altivez da alma e se integram ao trabalho às vezes anônimo com disposição principal e formam o sustentáculo da grandeza e da glória alvi-negra.

Arapiraca (AL)., 15 de março de 03

 * Presidente da OAB,

subseção Arapiraca

 

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