ASA - CAMPEÃO ALAGOANO DE 2000

 

 

Paulo de Tarso Alves Fernandes,

em 16/07/2000

 

    Diversos fatores contribuíram para a brilhante conquista de mais um título de campeão alagoano para o ASA, após 47 anos. Em primeiro lugar, quero salientar que a conquista de 1953, ao contrário do que a imprensa vem divulgando, foi conquistada dentro de campo. Ora, o ASA não tem culpa do Ferroviário, "campeão da capital", medroso, não querer decidir contra o campeão do interior, o "campeão matuto", conforme previa o regulamento. O ASA, portanto, conquistou o título de campeão alagoano de 1953 dentro de campo, ao conquistar o campeonato do interior.

    Já o título de 2000 teve pinceladas parecidas, pois o CSA, também com medo, ameaçou não entrar em campo com a acertada decisão da grande final ser disputada no Trapichão. O CSA queria, apenas por capricho, privar toda a população de comparecer ao jogo decisivo, mormente os arapiraquenses. O azulão queria jogar no acanhado Mutange, que cabe apenas 4.000 pessoas. Terminou, contra a sua vontade, sendo obrigado a ir ao Estádio Rei Pelé, sob pena de repetir a história que já havia acontecido com o Ferroviário, para ser mais uma vez derrotado.

    Recapitulando um pouco a heróica trajetória, o ASA este ano teve a seu favor um pouco de sorte, sempre ausente em outras campanhas. Conquistamos uma suada classificação para o quadrangular após nossa primeira vitória fora de casa (4x1 sobre o Capela) e o empate entre CSA e CRB que eliminou este último. Em outros anos esta sorte sempre faltou ao alvinegro. Posso lembrar até mesmo o ano passado, quando o nosso time era parecido com o deste ano, mas não teve a mesma sorte nas últimas rodadas, quando a combinação de resultados não ajudou.

    Esta classificação para o quadrangular adveio também de uma melhor organização interna e uma paciência inédita da diretoria, que está de parabéns, com a manutenção da mesma equipe até o final, com base de jogadores revelados em Arapiraca e região (Murilo, ex-Miguelense, Valmir, que acabou machucado, Jaelson, "coração de leão", Pêta, " a raça arapiraquense na lateral", Fuscão, "o amuleto", Marquinhos, "o Girau", Beto, goleiro titular em boa parte do campeonato, e Régis "o grande Cebola"), mesclada com juniores do Bahia que "estouraram idade" e foram emprestados para brilhar no futebol alagoano (Jackson, "o craque", Serginho, o "Romário do Agreste", Mateus "o formiguinha", Róbson "o goleiro que deu a volta por cima") e jogadores experientes para a zaga (Guinei, ex-Corinthians Paulista, Gedeon, "o capitão", e os reservas Márcio Gaia e Flávio), além de reforços como César e o "aguerrido" Clayton. A "combinação explosiva" estava concretizada.

    Como se vê, o ASA formou um time infinitamente superior aos adversários, um time de chegada, sob o comando de um técnico competente, alheio às empolgações repentinas de cada vitória, numa frieza profissional que rendeu o tão sonhado título (parabéns, Paulo Roberto!), estando a conquista nas melhores mãos, ou pés, se assim queiram.

    Mais outro fator: o menosprezo do adversário e da imprensa da capital. Como se Arapiraca estivesse a milhões de quilômetros e ninguém conhecesse o elenco alvinegro, numa falta de informação reinante e sem justificativa, as rádios de Maceió já alardeavam, com o fim da 1ª Fase, frases que ficaram na minha memória: "qual será das equipes classificadas para o quadrangular que alcançará os calcanhares do CSA?";  "o CSA tem o melhor time do estado";  "a disputa ficou sem graça com a ausência do CRB";  "amanhã não sei como irei trabalhar, pois vou estar de ressaca com o penta";  entre outras "pérolas" que, aos poucos foram mudando para: "o ASA tem um meio de campo brilhante, este é o segredo do seu bom desempenho";  "Jackson é o craque do campeonato";  "o título do alvinegro no quadrangular foi merecido" etc. O adversário então, nem se fala: "vamos morder o ASA";  "a festa já está preparada no Galpão 4";  "o trio elétrico vai acompanhar os torcedores no final do jogo para comemorar o penta". Afora o "histórico" CD que estava sendo vendido com a música de nome "Penta", que já foi prudentemente retirada na nova tiragem, com a letra "o CSA é pentacampeão (...), haja fumo para o ASA e o CRB", numa total falta de respeito.

    Hoje este CD se tornou uma relíquia para gozação, mais um troféu para o campeão alvinegro.

    Tudo isto serviu de combustível para os briosos "matutos" desbancarem os "mauricinhos da capital". Mas, um outro fator também foi decisivo: arbitragem oriunda de outros estados. Restou provado que com imparcialidade o ASA pôde desfrutar vitórias após longos anos de derrotas, nem sempre justas.

    Parabéns a todos arapiraquenses, sertanejos e agrestinos. Que venha o Centro de Treinamento prometido e que possamos trabalhar com mais tranqüilidade a prata da casa, sem aquela ânsia em ser campeão.

    Agora somos nós que temos a palavra. O interior tem a sua voz. Matutos podem gritar: o ASA é o CAMPEÃO ALAGOANO DE 2000.

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