TRAIDORES DO FUTEBOL
Paulo de Tarso Alves Fernandes*
É
lamentável que o poderio econômico da Rede Globo esteja cada vez mais
infiltrado e ocupando espaços em nosso país. É um monopólio irritante que
faz até do futebol seu objeto. Tal poder tem preconceitos, pisa e ainda que
seja o maior órgão de comunicação do país, é, por incrível que possa
parecer, um órgão extremamente desinformado e discriminador.
A Rede Globo não sabe o desperdício e o erro que está cometendo ao deixar uma
cidade do porte de Arapiraca - a segunda maior do Estado, que engloba toda uma
gama de torcedores do interior (agreste e sertão), com aproximadamente 600.000
pessoas, o que equivale a toda a população de Maceió, público consumidor
ávido - de fora de uma competição que diz ser representativa do Nordeste.
Só que a Rede Globo e a nefasta Associação de Clubes do Nordeste não
cometeram apenas este erro de não perceber que o interior de Alagoas tem
público e que o ASA, Campeão Alagoano de 2000, representa a maior torcida do
Estado, vide média de público dos últimos 5 (cinco) anos. Cometeram um erro
ainda mais grave que é o desestímulo que as competições na forma atual está
trazendo. A busca desenfreada pela audiência para destronar o Gugu fez a
vontade de assistir futebol não mais existir. Os estádios estão cada vez mais
vazios. O público agora é virtual. Competições como Copa Mercosul e Copa
João Havelange são tão ridículas quanto os nomes e a média de público que
possuem. O fim do mérito do acesso através da 2a e 3a Divisões afugenta o
torcedor, que não se engana e não vai a campo.
Mas aí vem a pergunta: para quê torcedor? “Temos uma cota de R$ 230.000,00,
não precisamos de torcida”. “Vamos acabar com o Campeonato Alagoano, posto
que este não tem cota de TV”, estas são as palavras de ordem. Nomes como
Luciano Bivar, Paulo Carneiro, Arnon de Melo Neto ocupam o grande espaço na
mídia para enfiar em nossas goelas as suas “brilhantes”, “modernas” e
“mirabolantes” idéias. Nos anos 90 a era foi dos técnicos que tinham mais
fama que os jogadores, vide Luxemburgo e Felipão. Agora será a era dos
dirigentes esportivos, que estão decretando o fim do futebol, trazendo
desemprego e o fim do sonho para milhares de crianças e jovens que buscam no
interior dos Estados conseguir a profissionalização no time local e para
outros tantos que dependem direta ou indiretamente do futebol nestas inúmeras
cidades (imprensa, massagistas, técnicos, roupeiros etc).
Entretanto, por mais que nossos inimigos tentem acabar com o futebol do
interior, nada fará a nossa torcida esquecer o gol de Jaelson aos 25 minutos do
2o tempo. Nada fará a nossa torcida esquecer o título de 2000. Nada fará
a nossa torcida esquecer o fim da palhaçada do penta premeditado e o choro do
dirigente já citado. Nada tirará a alegria da grande conquista fora de casa e
de presenciarmos parte da torcida do inimigo aplaudindo.
Conclamo aos amigos torcedores, ao Nelson Filho, ao Luciano Machado, ao Saulo e
ao José Ventura, a todos que fizeram a Mancha Negra, entre outros, a
levantarmos a cabeça, assimilarmos o golpe rasteiro e partirmos para a luta.
Temos a Copa do Brasil. E mesmo que também sejamos excluídos dessa
competição - tudo é possível nessa bagunça que vive o futebol brasileiro -
temos que continuar olhando para o futuro, ainda que não estejamos a vislumbrar
algo de bom, o que deve manter os nossos pés cada vez mais no chão. A
indignação permanecerá em nossos corações, mas a garra de ganharmos dentro
de campo de nossos inimigos traidores será redobrada, ainda que seja apenas
pelo prazer da vitória.
E viva o São Caetano!!
* Paulo de
Tarso é Procurador da Fazenda Nacional.