ASA - CAMPEÃO ALAGOANO DE 2001
(A
SAGA DO BICAMPEONATO)
Paulo de Tarso Alves Fernandes*
A trajetória do ASA na conquista do bicampeonato foi
tão empolgante e digna, além de cheia de reveses, que merece ser recapitulada.
Começamos o ano com uma apunhalada pelas costas. Fomos excluídos do Campeonato
do Nordeste por uma manobra dos times baianos e pernambucanos, que passam por um
momento de nefasta interferência política. Havíamos conquistado dentro de
campo o direito de participar de uma grande competição, mas não tivemos esse
direito respeitado. Embarcamos na nossa primeira crise.
Nossos rivais saíram na frente. Com a milionária cota de televisão recebida,
CSA e CRB dispunham de dinheiro e puderam armar as suas respectivas equipes para
disputar o Campeonato do Nordeste e entrar no Campeonato Alagoano já em
ritmo de competição e com preparação de forma antecipada.
Sobrou para o ASA a disputa da Copa do Brasil. Diretores e torcedores estavam na
expectativa de que pelo menos a CBF brindaria o ASA com um adversário de peso
nacional, para termos uma boa renda, compensando a retirada injusta do
Campeonato do Nordeste. Entretanto a CBF apenas indicou o Vitória da Bahia.
Fizemos um papel decente nos jogos contra o rubro-negro baiano, mas, sem
dinheiro, o desânimo era crescente para o início do Campeonato Estadual.
Todavia, no mar de notícias ruins, os diretores fizeram o primeiro ato que
firmou a equipe na temporada: a contratação de um técnico competente,
respeitado pelo elenco e que instruía a equipe de acordo com as circunstâncias
de cada jogo, superando as limitações numéricas iniciais do grupo. Seu
nome: Laelson Lopes. Criticado por ter um esquema de jogo que privilegiava o
resultado em detrimento de belas atuações, o nosso técnico e o grupo de
jogadores obtiveram regularidade na competição, ausente nas demais equipes que
disputaram o Campeonato Alagoano, com exceção do Penedense, que culminou com a
conquista do Grande Turno e a classificação para a final. Grupo de jogadores
que mesclava origem em nosso próprio Estado (Fuscão, o nosso artilheiro, Denílson,
a revelação de São José da Tapera, Rodrigo, um bom volante recém-saído dos
juniores, Beto, goleiro que também fez parte do elenco do ano passado, Jaelson,
o eterno coração de leão, Soares, lateral-direito renegado por CSA e CRB e
que fez o gol do título) com jogadores advindos de outros estados (Marcelinho,
craque do campeonato, Bruno, ex-júnior do Bahia, Ítalo, habilidoso
lateral-esquerdo, Moraes, ex-seleção brasileira sub-20, Aldo, Souza, Jânio,
trio de força, Marcão, goleiro experiente, Sérgio, o Jamaica, Normando, entre
outros), ou seja, a mesma receita já aplicada com sucesso no ano anterior.
Com o 1o lugar no Grande Turno, o que poderia significar uma arrancada fácil
para o bi, surgiu uma nova crise: a saída do nosso técnico que recebeu uma
bela proposta de um clube goiano. Sem o chefe, os jogadores começaram a
pressionar para receber a premiação prometida. O novo técnico, Adeildo
Damasceno, que fez uma brilhante campanha para salvar o Capela do rebaixamento,
encontrou o grupo dividido entre os que aguardavam o pagamento da premiação e
se dispunham a treinar e os que exigiam o pagamento antes mesmo da estréia no
quadrangular. A torcida pressionou, a situação foi contornada, mas o resultado
da segunda crise foi péssimo: fraca campanha na segunda fase da competição.
Restava aguardar a disputa das finais. Mais uma vez a soberba do adversário foi
bradada: "contratamos um jogador que vale por cinco, o João Paulo",
veterano jogador da Seleção Brasileira nos anos 80; "o CSA está embalado
com a conquista do quadrangular"; "o CSA vai recuperar a hegemonia no
futebol alagoano", entre outras bobagens.
Calada e sem alardear, a direção do alvinegro aplicou o segundo e último ato
decisivo: pleiteou árbitros de outros Estados para as partidas finais perante a
Federação Alagoana de Futebol. Desnorteada com o golpe, a direção do CSA e
parte da imprensa da capital buscaram inexplicavelmente (o que será que faz os
azulinos temerem tanto a arbitragem de fora das Alagoas?) brecar a atitude dos
dirigentes alvinegros, alegando que teria sido tal pedido protocolado fora do
prazo ("o pedido foi protocolado duas horas depois do prazo", diziam
indignados).
Prudente e sem se deixar levar pela histeria, a Federação Alagoana de Futebol
entendeu que o pedido do ASA foi protocolado em tempo hábil, na quinta feira, e
ponto final. Havia tempo de se pleitear junto a CBF árbitro da FIFA e isto era
o mais importante, pois seria mais uma atração para o sofrido torcedor
alagoano, já tão massacrado pela mesquinharia dos
dirigentes da capital (torcedor este obrigado a se deslocar para o acanhado
Mutange para assistir a primeira partida da final no domingo, 22 de julho).
Afora tal bravo ato dos diretores do alvinegro, nas finais brilhou a estrela do
técnico Adeildo Damasceno e o seu estilo tático. O ASA precisava de três
empates nos três jogos e não necessitava se expor. Sendo assim, com um belo e
moderno esquema de jogo (três zagueiros, coisa que nem o Felipão na Seleção
Brasileira conseguiu imprimir com sucesso), o ASA fez grandes atuações,
anulando o time adversário, com um grande desempenho de raça e técnica de
todos os jogadores, que estão, sem exceção, de parabéns.
Sempre com brilhantes arbitragens da FIFA, novamente o poderoso CSA foi
destronado (1X1 no Mutange, 1X0 no dia 25 de julho e 2X1 no dia 29 de julho, as
duas últimas no Estádio Municipal de Arapiraca), para delírio da imensa
torcida do ASA, que provou mais uma vez que é, sem dúvida, a maior do Estado.
Resta comprovado que não existe resultado advindo do acaso. Essa nova conquista
demonstra que mais uma vez o trabalho, a honestidade e, acima de tudo, a competência,
mesmo em momentos difíceis e dramáticos, levam grandes guerreiros ao
estrelato.
Aos jogadores que saírem desejo o mesmo sucesso obtido no ASA em suas novas
equipes. Aqueles que ficarem continuarão com o mesmo apoio e dedicação de
diretores e torcedores para novas conquistas, agora a nível nacional, visto que
ganhar o campeonato alagoano já virou rotina.
Ser campeão já foi uma delícia. Ser bicampeão é consagração.
* Paulo de Tarso é torcedor.