Rei dos números

Paulo Lima guarda arquivo em Arapiraca com 19 anos da história do futebol

A paixão de Paulo Lima pelo futebol não poderia se limitar a vestir a camisa do time do coração e freqüentar os jogos da Agremiação Sportiva Arapiraquense (ASA). Ao longo dos anos e de pesquisas aprofundadas, ele se tornou uma das figuras mais importantes do esporte arapiraquense.
O cinqüentão de cabelos brancos, mãos marcadas pelo trabalho pesado com madeira, e que gosta de ficar sentado à boca do túnel de acesso ao campo do Estádio Coaracy da Matta Fonseca em partidas do Alvinegro, possui um acervo com informações de 19 anos consecutivos do Campeonato Alagoano, sete anos do sergipano, além de três anos do Brasileirão das séries A e B, sem contar todas as edições da Copa Nordeste e duas Copas do Mundo.
O fanatismo pelo ASA fez Paulo Lima tratar a paixão arapiraquense com mais carinho. Nos dados organizados numa pasta azul constam informações sobre o alvinegro arapiraquense desde 1964. São 1.085 jogos do ASA e várias fotos. Entre os objetos está o escudo da Fifa que ganhou de presente do árbitro Vagner Tardelli.
ORGANIZAÇÃO - Os números não são dispostos aleatoriamente em folhas de caderno. Não são tratados como simples números. São histórias. Existe um nível de organização que facilita encontrar informações importantes sobre escalações, artilheiros, árbitros, número de partidas no campeonato, público, o balanço de cada time na competição, etc. Paulo Lima diz que 195 cadernos guardam as relíquias. Nos armários montados na garagem da casa localizada na rua Tibúrcio Valeriano, no bairro Jardim Esperança, também podem ser encontrados almanaques sobre futebol brasileiro e livro sobre a profissão de treinador de futebol, além de revistas especializadas em futebol.
Ele ainda possui cópias das atas da Federação Alagoana de Futebol que proclamaram o ASA campeão estadual. “Sou apaixonado por futebol”, declara.

Pesquisador troca o São Paulo pelo ASA


Em 1970, Paulo Lima foi morar em São Paulo para trabalhar. Naquele período começou a arquivar resultados de jogos do São Paulo Futebol Clube. Ia aos jogos no Morumbi e quando não tinha chance de se deslocar aos estádios, fazia as anotações via transmissões de rádio, outra paixão do arapiraquense. Quando retornou a Arapiraca, no início da década de 80, Paulo deixou para trás as anotações do tricolor paulista e decidiu se dedicar ao ASA de Arapiraca. Com a ajuda de amigos amantes do alvinegro, ele definiu montar o quebra-cabeça das participações do time arapiraquense nos campeonatos. A partir de 1987 passou o freqüentar o Estádio Coaracy da Matta Fonseca não
apenas como o torcedor de outrora. O menino que jogou com bola de meia e abandonou a carreira de goleiro porque se achava baixinho para o trabalho - 1,65m - via os jogos com outros olhos. Adotou a boca do túnel como cadeira cativa. As companhias são caderno, caneta e dois rádios ligados ao mesmo tempo. “Um rádio fica sintonizado no jogo do ASA e o outro é para acompanhar o campeonato sergipano”, afirma. Nenhum detalhe passa despercebido. “Por dois anos não fui ao campo porque estava indignado com as atuações das arbitragens. O ASA montava esquadrões que eram abatidos pelos times da capital mesmo em Arapiraca. Jogadores eram expulsos e pênaltis marcados sem que houvesse meios de reclamação do time alvinegro. O ASA só foi campeão porque isso mudou”, alegou.

FAMÍLIA - Na década de 80 foi chamado de louco pelos colegas de futebol. A esposa, Sônia Maria Lima, com que é casado há 25 anos, explica que nunca quis interferir no amor de Paulo pelo futebol. “Conheci o Paulo quando ele ainda jogava no futebol amador de Arapiraca, nos anos 60. Quando nos reencontramos e casamos, vi que não deveria interferir no amor pelo futebol. Ele vai para o jogo, eu vou para a missa”, comenta Sônia.

Lima quer lançar livro sobre Alvinegro


As relíquias do futebol alagoano e principalmente do time do ASA poderão ser observadas pelos torcedores em um livro que Paulo Lima pretende lançar em breve. Todas as informações, com riqueza de detalhes, serão passadas para um computador que o pesquisador ganhou da prefeitura de Arapiraca. “Já falei com os digitadores para que em janeiro, eles comecem a passar o material escrito para o computador. Com a fartura de informação, acho que o livro será considerado a bíblia do torcedor do ASA. Também vou contar histórias dos bastidores”, fala orgulhoso. “Quando o livro for publicado estarei realizando um sonho antigo”, afirma. No livro os torcedores mais novos poderão ver fotos como a da camisa do ASA que mostrava também a cor verde, em homenagem ao América de Minas Gerais. A novidade só perdurou pelo ano de 1983. Em 1984, o ASA voltou a exibir somente as cores preta e branca na camisa.
Nos cadernos existe a informação de que o atacante Natazílio Freitas, atualmente técnico de futebol, é o maior artilheiro da história do ASA, com 82 gols. Ele sabe também que a maior goleada aplicada pelo ASA no Fumeirão, foi em cima do arqui-rival Cruzeiro de Arapiraca, no dia 26 de maio de 1996, em partida válida pela 3ª rodada da 1ª fase do 2º turno do campeonato Alagoano. Fica fácil ainda saber que o alvinegro de Arapiraca foi fundado em 25 de setembro de 1952 com o nome de Associação Sportiva de Arapiraca. Com este nome foi campeão pela primeira vez em 1953. “No dia 1º de setembro de 1967 os dirigentes decidiram mudar o nome para Agremiação Sportiva Arapiraquense. Já com a nomeclatura atual, o ASA sagrou-se campeão alagoano em 2000, 2001, 2003 e 2005. Também conquistou a Copa Alagipe em 2005.

Tony Medeiros

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